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Um Mundo Desperto de Consciência

A cada dia que passa, eu vejo como todos nós estamos vivendo em um mundo ilusório; um mundo da “matrix”.

Sei que não podemos mudar esse sistema castrador e manipulador que se apresenta como nossa realidade, mas podemos fazer muita coisa no meio de tanta enganação, falta de ética e prioridades invertidas. E como isso seria possível? A partir de constantes reflexões, mudanças, faxinas internas e boas repaginadas dentro de nós mesmos.

Porque não importa o mundo em que habitamos! O importante é o mundo que habita dentro de nós. Esse mundo, sim, é possível mudar… cuidar… construir… desconstruir.

Por mais que saibamos que não é possível MUDAR o sistema, temos a certeza de que é possível trabalharmos para o DESPERTAR DE NOSSA CONSCIÊNCIA.

A ideia que o filósofo grego Platão, em sua “Alegoria da Caverna”, nos deixou foi a necessidade desse “DESPERTAR”. E, uma vez que ele ocorre, não conseguimos mais voltar para a “caverna”… para a “matrix”. Simplesmente se torna impossível voltar à anterior ignorância.

As pessoas estão tendo uma visão muito distorcida da realidade. No mito da caverna, Platão nos faz ver que os “prisioneiros” somos nós que enxergamos e acreditamos apenas em imagens criadas pela cultura e pelas regras sociais… e em conceitos que recebemos durante nossa formação e que achamos que representam toda a VERDADE EXISTENTE NA TERRA.

A caverna simboliza o MUNDO que nos apresenta imagens que não são fieis à realidade e que, cada vez mais, escraviza, manipula, engana e corrompe as pessoas.

Só é possível conhecer o mundo SEM VENDAS NOS OLHOS quando nos libertamos dessas imagens distorcidas que nossa sociedade quer nos fazer crer que são REAIS, VERDADEIRAS E INDISPENSÁVEIS. E aí entram o engano do consumo exagerado; as falácias dos políticos (de todos os partidos); as promessas distorcidas do grande negócio que virou as religiões; a eterna busca pelo DINHEIRO: “o Grande Senhor” que a quase todos comanda.

Dinheiro é muito bom! É excelente! O problema não é possuí-lo. O problema é o que fazemos com que ele; qual significado e qual a importância damos a ele. Consumir também é maravilhoso… mas pelo amor de Deus…. projetar nossa felicidade na posse de coisas (e de pessoas) e no eterno desejar ao que não se tem é um verdadeiro massacre à nossa paz de espírito. É uma atitude altamente entorpecedora e suicida.

Sair da caverna e enxergar o mundo como ele é, sem ilusões, não faz de nós pessoas necessariamente pessimistas ou depressivas. Faz de nós seres PENSANTES que se negam a ser fantoches, escravos ou mais um no grande rebanho, em um mundo onde a busca desenfreada pelo DINHEIRO, pelo PODER e a ditadura da FELICIDADE DE FACHADA reinam em todos os lugares e em todos os momentos (principalmente, aqui no mundo virtual).

“Desgarrar muitos do rebanho. Foi para isso que eu vim.” (Nietzsche). Esse grande filósofo alemão morreu louco e sozinho, é verdade! No entanto, o “DESPERTAR DA MATRIX … O DEIXAR A CAVERNA PARA ENXERGAR” não torna as pessoas tristes ou malucas! TORNA AS PESSOAS CONSCIENTES; conscientes do mundo à sua volta e conscientes de si mesmas. Isso faz de nós pessoas mais conhecedoras de QUEM SOMOS, verdadeiramente; não meros subprodutos que a sociedade quer que sejamos ao nos encaixotar, nos colocar rótulos e nos pressionar para sermos pessoas afastadas de nós mesmas… servas do consumo e do ciclo eterno dos desejos.

E qual a razão de todo esse desabafo?

Bom, uma das razões foi ter que ouvir um pequeno absurdo hoje e precisar me conter para não dar um fora bem grande num certo sujeito.

Uma pessoa me disse há pouco, parecendo horrorizada, que eu não sabia o que estava perdendo ao não curtir CARNAVAL e ficar lendo meus livros; que eu não estava aproveitando a vida; que ler era coisa de gente triste! Ahhhh????????????

Já perdi as contas da quantidade de pessoas já me disseram que eu precisava curtir mais a vida, mas foi a primeira vez em que alguém conseguiu a proeza de dizer tamanha asneira em minha frente. Ler é coisa de gente triste? Há algumas anos, eu me irritaria muito com essa pessoa. Hoje, apenas me dei ao direito de calar e sorrir; sim… sorrir… descaradamente… com tamanha idiotice.

Engraçado como para nos “encaixarmos ao sistema” precisamos gostar do que todo mundo gosta e usar o que todo mundo usa. Para mim, aproveitar a vida é fazer o que se gosta de fazer; é aproveitar esse pouco tempo em que estamos de passagem por aqui fazendo coisas que nos aproximem de nossa essência; que nos deixem mais realizados e mais felizes.

Para alguns, aproveitar a vida é relaxar tomando uma cerveja gelada na praia. Para outros, é completar um IRONMAN (prova de resistência com 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42,195 km de corrida, debaixo de sol escaldante ou de baixíssimas temperaturas). Para outros ainda, é fazer doutorado em física quântica.

Porém, fico pasma quando percebo que para a MAIORIA (o rebanho), aproveitar a vida virou sinônimo de beber, viajar, dançar até chão, acompanhar novelas, usar o melhor perfume, a melhor roupa e esbanjar a melhor “SELFIE” de SUPER, MEGA, HIPER FELIZ nas redes sociais.

SE SER FELIZ E APROVEITAR A VIDA SE RESUME A ISSO, REALMENTE EU NÃO TENHO ONDE ME ENCAIXAR NESSA SOCIEDADE HIPÓCRITA E DOENTE.

Prefiro ser tachada de TRISTE, a ser uma “TOLA FELIZ”, ao lado das massas cegas que gritam, aos quatro cantos do mundo, o quão são realizadas, quando na verdade não passam de aglomerados de seres depressivos, prisioneiros e acorrentados em si mesmos; em suas próprias mentes.

Pessoas assim nem ao menos conseguem gostar de sua própria companhia; não conseguem apreciar a maravilha do silêncio. São grandes “bobos alegres” que correm de si mesmos porque têm dúvidas se gostariam do que veriam se olhassem, bem de perto, para seus pensamentos, seus medos, seus monstros. Pessoas assim vivem numa “felicidade anestesiada e disfarçada… fora de si”… e, provavelmente, vão morrer sem conhecerem seu próprio mundo interior.

Essa ditadura da felicidade a qualquer custo sempre me causa estranheza. A vida de todo mundo nas redes sociais parece ser UM MAR DE ROSAS REPLETO DE EXTREMA ALEGRIA. Se alguém ousa não SORRIR para qualquer bobagem que vê ou escuta, é tachado de triste. Se alguém ousa discordar de algo ou não gostar do que quase todo mundo gosta, torna-se simplesmente mais um “chato que não sabe curtir a vida.”

No fim das contas, penso que sou muito mais feliz e consigo curtir bem mais a vida em meu “mundinho desperto de consciência”.

Abraços,
Lu

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'Um Mundo Desperto de Consciência' Existe(m) 1 comentário(s)

  1. 21/09/2015 @ 18:39 Carlos

    Muito bom o post. Parabéns pelo blog.

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