1. dia-do-escritor

O que é ser escritor?

Hoje, 25 de julho, comemora-se o Dia do Escritor. Dia do profissonal que enxerga nas letras a construção de suas “estórias” e “histórias” (embora essa diferenciação esteja sendo preterida nos últimos anos… eu mesma nem mais a uso).

Escrever não é fácil. Não mesmo. E vou explicar o porquê.

Esta é uma atividade solitária. Para escrevermos, é necessária uma boa dose de isolamento social e familiar, e poucas horas de sono. Os colegas de profissão sabem sobre o que estou querendo dizer. Quem nunca precisou acordar às 6h para trabalhar (sim, trabalhar para ganhar o pão de cada dia) e começou às 22h, repetindo mentalmente que iria dormir às onze ou no máximo à meia-noite. Mas aí a inspiração bateu e a pessoa fica até às 3h da manhã escrevendo, o que faz um sono reparador de sete horas diminuir para míseras três horas. Resultado? Uma ressaca miserável. A gente acorda com a disposição de quem passou as últimas horas enchendo a cara numa balada, quando, na verdade, sua única companhia era a tela de um computador e alguns cachorros barulhentos da vizinhança. Fora os inúmeros jantares e atividades sociais que precisam, algumas vezes, serem deixados de lado pela paixão à escrita. Os namorados (as), maridos (esposas) e familiares sabem bem o quanto isso pode ser chato.

Escrever no Brasil é uma atitude meio louca. O fato é que milhares de novos autores surgem a cada dia. O mercado só se estreita, especialmente em meio a uma crise, e a possibilidade de reconhecimento vai diminuindo por causa das inúmeras possibilidades de se ler gratuitamente (histórias boas, excelentes ou ruins… na maioria das vezes, histórias muito ruins que chegam a ter milhões de visualizações). Tenho visto inúmeras jovens se intitulando escritoras porque postam suas histórias em plataformas democráticas como o wattpad. O problema, entretanto, é que para ser escritor é preciso DISCIPLINA, MUITO ESTUDO E MUITAS HORAS GASTAS FAZENDO REVISÃO E MELHORIAS NO TEXTO.

O fato é que para um texto se tornar bom e para autores se tornarem escritores, é imprescindível o valor do TEMPO. Toda história precisa “dormir” e todo escritor precisa estudar e procurar se capacitar. Cada vez que paro para ler um dos meus livros, fico tensa e frustrada com os “errinhos” que passaram através dos meus olhos, já que meus escritos nunca passaram pelo crivo de nenhum revisor profissional ou amador (nem mesmo leitor beta).

Nas últimas semanas, estou atualizando meus livros e venho me surpreeendendo pela quantidade de erros que eu simplesmente não vi, por mais óbvio e claro que estivesse. Além dos erros, algo que todo aspirante a escritor precisa saber é que o texto clama por melhorias. Não é possível produzir um bom texto (sem ajuda de um revisor e de um editor) se o escritor não trabalhar em cima dele para melhorá-lo.

E por falar nisso, todas as pessoas que compraram meus e-books na Amazon irão receber a atualização dos textos (com a devidas correções) em suas bibliotecas virtuais muito em breve. 

Quando resolvi me intitular escritora, o meu próprio ego me repreendeu: “Você? Escritora? Tá louca? Você começou a escrever há menos de dois anos e, portanto, precisa comer muito feijão com arroz para poder se autodenominar assim”.  O fato é que pensei que, se queria ser uma boa escritora algum dia, eu devia visualizar que eu já era uma. Eu devia vivenciar esse futuro como se fosse uma realidade para que essa energia atraísse pra mim o resultado que eu almejava. Isso é coisa de Programação Neurologuística, Neurociência e Autoajuda sobre Leis da Atração do Universo. Já ouviram falar sobre isso, não é? Quem nunca? 🙂

O problema é que junto dessa decisão, veio a dura realidade que um escritor enfrenta no Brasil. Muitas vezes, eu me frustrava tanto que mal conseguia ânimo para atualizar meu site. Hoje, eu não o atualizado com frequência porque minha vida está muito corrida. Outras prioridades existem. Nos dias atuais, tenho procurado evitar o pessimismo e o foco nos resultados. Em outras palavras, tenho curtido mais o processo de escrever sem grandes expectativas. Vontade de reconhecimento sempre há. Vontade de ir a uma livraria e escontrar lá o seu livro sempre vai existir. Mas hoje não preciso dessa realidade para me sentir feliz com os meus escritos e meus leitores.

Fiz um pacto com a Força Suprema e prometi passar o resto dos meus dias tentando aprender esse árduo ofício. Vou continuar com o meu intento, por meio de muito estudo e aprimoramento constante. Em homenagem ao dia de hoje, gostaria de citar algumas frases de ilustres escritores (que estão nos agradecimentos do meu novo livro “A Razão de Todo Meu Amor”):

Pablo Neruda disse, certa vez, que ”Escrever é fácil: você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca ideias.” (Ow, se fosse tão fácil assim, grande gênio.)

José Saramago declarou que “Somos todos escritores. Só que uns escrevem, outros não.” (Os que escolhem escrever são meio loucos, no meu ponto de vista.)

Darcy Ribeiro disse, simplesmente, que “Escrever é ter coisas para dizer.” (Difícil é ter algo valioso a dizer. Tenho muito a falar, mas me questiono se não são apenas bobagens que mereciam ficar apenas dentro da minha mente.)

Sinclair Lewis registrou que “O ato de escrever é a arte de sentar-se numa cadeira.” (De fato, manter-se sentado durante o processo de escrita é uma grande arte e um imenso atestado de disciplina. E é por isso que nutro uma relação de amor e ódio com a minha cadeira, que logo vai me dar uma bela queda, de tão velhinha que já está.)

Margaret Atwood, certa vez, declarou que “Escrever é deixar uma marca. É impor ao papel em branco um sinal permanente, é capturar um instante em forma de palavra.” (Amo quando consigo capturar um simples instante que se passa em minha mente ou diante de meus olhos e registrá-lo na folha em branco do meu editor de texto. Costumo nominar esse momento de ‘registro literário eficaz’ ou de ‘êxtase literário’, tamanha é a sensação do ‘dever cumprido’ que toma conta de mim. No entanto, esse primeiro registro costuma ser de péssima qualidade, o que me faz pensar que escrever é para gênios; não para pessoas comuns como eu.)

Finalizo as citações com a grande Clarice Lispector, que desabafou ao dizer: “Eu escrevo como se fosse salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida.” (E isso, eu e a estupenda escritora temos em comum: escrevo para salvar a minha vida do não entendimento do que ela representa. Escrevo porque isso me traz um absoluto e inexplicável bem-estar).

Por fim, gostaria de agradecer as minhas amáveis leitoras, que sempre me deixam palavras de apoio e carinho, o que faz meu coração continuar vibrando de entusiasmo pela escrita, apesar dos inúmeros percalços. Se fosse nominar, nesse momento, todos os que merecem a minha gratidão, acabaria me esquecendo de alguém importante. Deixo apenas o meu sincero e absoluto MUITO OBRIGADA. Vocês sabem que moram em meu coração.

Luciana Ramos

25 de julho de 2016.

 

lu 35

Luciana Ramos é pernambucana e mora em João Pessoa/Paraíba desde os 5 anos de idade.

Formada em Direito, é pós-graduada em Direito Administrativo e Gestão Pública, e possui um MBA em Gestão Empresarial.

É servidora efetiva do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba, ex-Advogada, Coach e Escritora.

Tem como grandes paixões a Literatura, o Cinema e a Música. Adora ler, escrever, tocar violão, meditar, assistir a filmes e seriados, acompanhar canais no YouTube e viajar.

Caso deseje participar da mais nova promoção do meu site, é só clicar neste link. 

Se quiser conhecer um pouco mais sobre mim, clique aqui para ler uma extrevista dada para o site ARCA LITERÁRIA. Abaixo, alguns trechos.

Fale-nos um pouco de você.

Bom, eu me chamo Luciana. Mas os amigos e familiares costumam me chamar de Lu. Tenho 35 anos. Moro na capital do estado da Paraíba (João Pessoa). Adoro cachorros. Tenho uma vida muito simples (baseada no princípio do minimalismo, onde o “menos” muitas vezes pode ser “mais”). Adoro tocar violão, acompanhar canais do YouTube, assistir a filmes e seriados. Não gosto muito de televisão e sempre estou de posse de livros ou de meu kindle em qualquer lugar onde vou. Amo muito mais escrever do que advogar estou largando a advocacia para viver meu propósito de vida (na verdade, já larguei). Esse é meu grande sonho: aprender o árduo ofício de escrever (através de muito estudo) e passar muitas horas de minha existência dedicadas a essa arte tão linda: a literatura.

Você tem um cantinho especial para escrever? 

Tenho sim. É simples, mas é bastante confortável e calmo.

1. CANTINHO DE ESTUDO E TRABALHO

Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Dificuldades para publicar livros físicos no Brasil é uma constante para 99,999999% de qualquer escritor nacional. É muito angustiante perceber que a maioria das pequenas e médias editoras estão se tornando, cada vez mais, meras “gráficas”. Não são poucos os casos em que as editoras não se preocupam com o que lançam no mercado. Quando a qualidade da capa e do papel não é ruim, a revisão do texto é sofrível. E aí vem os problemas para garantir uma eficaz distribuição e marketing dos livros. Sei que editoras são empresas e precisam ter lucro, mas o que tenho visto por aí são editores só no nome, que não editam os livros e apenas os lançam com preços ABSURDOS. Não passam de empresários querendo faturar em cima dos sonhos de escritores iniciantes. Publiquei meus dois primeiros livros através de um editora do Rio de Janeiro. Meu contrato acabou recentemente (porque fiz questão de assinar por apenas 6 meses) e agora estou buscando uma nova casa para meus escritos.

O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

A literatura nacional está crescendo muito. Vários escritores de sucesso têm saído de plataformas como Wattpad e Amazon. Só acho que, assim como as editoras, os próprios escritores precisam melhorar e se dedicar com mais acuidade a esse ofício. Escrever não é simplesmente jogar uma ideia no papel. O ato de escrever demanda muito estudo e disciplina. É preciso ter respeito pela Língua Portuguesa e pelo leitor, que não pode se satisfazer com livros/autores que mal conhecem o uso correto da vírgula e nem sabem o que é um aposto. Ainda será necessário um longo caminho pela frente para o amadurecimento desses jovens autores.

Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

O que falta a essas pessoas é mais HUMILDADE, MATURIDADE E ESTUDO/DEDICAÇÃO/ZELO. Ter uma boa história na cabeça, colocá-la num editor de texto e depois lançá-la no Wattpad, Amazon, etc. não faz de alguém um escritor. Errar, todo mundo erra. Até hoje, ainda enxergo pequenos erros nos meus escritos – 95% deles, de digitação – e isso me deixa triste (meus livros nunca passaram pela revisão de ninguém: nem leitora beta e nem revisor profissional; apenas a minha própria revisão). Escrever bem é um processo natural que acontece com o passar do tempo. Tenho procurado me capacitar para ir melhorando meu processo de escrita porque quando olho para meus livros, vejo neles enormes possibilidades de melhorias. No entanto, há jovens com milhões de visualizações de seus escritos na internet que mal sabem escrever direito e já se acham os melhores escritores do país.

Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Acompanho alguns blogueiros. Acho um trabalho muito importante para permitir ao leitor comum gastar sua grana em algo de qualidade. A resenha de um blogueiro influencia, e muito, as pessoas que acompanham seu trabalho. Isso demanda muita responsabilidade. Vejo alguns blogueiros fazendo críticas positivas de livros ruins (ou péssimos) só porque ganharam o livro do próprio escritor ou das editoras (nas chamadas “parcerias”). Claro que um leitor pode amar um livro e esse mesmo livro ser odiado por outro leitor. No entanto, não é possível falar bem de uma obra com enredo medíocre, mau uso da gramática ou personagens chatos/sem noção. Já vi esse tipo de coisa acontecer no pouco tempo que estou nesse “mundinho das redes sociais de escritores/leitores/blogueiros”. No entanto, o mundo da literatura representa o MUNDO COMO UM TODO. E em todos os meios, há pessoas que se vendem por muito pouco. Apesar dessa realidade, ainda existem blogueiros comprometidos com a verdade e com a qualidade de suas resenhas. Ou seja, não têm “rabo preso”.

Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

LEITOR: Procure ler alguns livros diferentes. Procure sair de sua zona de conforto de vez em quando. Abra-se para novas possibilidades. Se você leu quatro romances de CEOs, “HOTs” OU DE DRAMA CONTEMPORÂNEO, busque um clássico da literatura nacional ou estrangeira para ser o quinto livro da lista. Dê-se a chance de ler uma biografia, um livro histórico ou um livro de aventura. Arrisque-se um pouco em algo diferente e depois retome para as suas predileções literárias. Não leia uma coisa só o tempo todo!

ESCRITORES INICIANTES (como eu): Vamos estudar! Apenas criarmos uma boa história não é suficiente. Precisamos focar no uso correto da gramática. Isso é o mínimo que se espera de um escritor. Temos, também, que ler mais. Quanto mais se lê, melhor se escreve. Façamos cursos on line, faculdades, especializações. Vamos procurar melhorar nossos escritos. O leitor agradece nossa disciplina, nosso estudo e nosso cuidado com o que colocamos no papel. Olhemos para nossos livros como obras inacabadas e necessitadas de melhorias constantes. E, por fim: vamos sempre ter cuidado para não deixar que a ansiedade de publicar nossos livros nos coloque em enrascadas ao assinarmos contratos ruins com editoras ruins.

Inscreva-se, Curta e/ou Compartilhe.

'O que é ser escritor?' Não existem comentários

Seja o primeiro a comentar este post!

Você gostaria de compartilhar suas impressões?

Seu endereço eletrônico não será publicado.

error: Este conteúdo está protegido !