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Livro “Gloriosas Ruínas: o caminho bíblico para a restauração”

Certos acontecimentos em nossas vidas parecem ocorrer por um propósito determinado. Sabe aquele momento em que algo ou alguém chega até você para uma finalidade específica? Foi isso que pensei quando um amigo me emprestou o livro de Sérgio Queiroz, intitulado “Ruínas Gloriosas: o caminho bíblico para a restauração”. Antes de falar sobre o livro, gostaria de tecer algumas considerações sobre o escritor.

Sérgio Queiroz é um daqueles homens que faz a diferença no mundo. O autor tem dedicado um bom tempo de sua vida ao auxílio de seu rebanho, não apenas como pastor da Primeira Igreja Batista do Bessamar (João Pessoa/PB), mas também como idealizador da Fundação Cidade Viva.

O que mais encanta nesse homem é a sua proatividade. Não o conheço pessoalmente, mas aqui em João Pessoa seu nome é sempre lembrado devido ao seu bonito engajamento às atividades que a ‘Cidade Viva’ realiza com crianças doentes, dependentes químicos, moradores de rua, presidiários, casais com o casamento em crise, etc.

Muito estudioso, o ainda jovem Sérgio Queiroz é Procurador da Fazenda. Graduado em Direito, Engenharia e Liderança, é Mestre em Filosofia e Teologia, e Doutorando em Ministério Pastoral. Casado há duas décadas, é pai de três filhos.

Na única vez em que o vi, ele estava falando para sua comunidade na Igreja Cidade Viva. E assim que ele começou a pregar, pude perceber que esse homem tinha o dom de chegar aos corações das pessoas através das palavras. E que dom…

Tenho muita dificuldade de utilizar rótulos no dia a dia. Acredito que quando nos rotulamos, nós corremos o risco de nos limitarmos e ficarmos excessivamente presos a certas “verdades”, o que pode nos levar à acomodação e a uma visão restrita sobre muitas experiências. Por isso, eu não consigo me encaixar a determinadas denominações (política, religiosa, filosófica, etc.).

Isso, no entanto, não me impede de reconhecer a importância da religião na vida das pessoas. Eu optei por não pertencer a nenhuma delas. Apenas isso. Da mesma forma que respeito a fé e as religiões ao meu redor, fico sempre muito feliz quando minha posição acerca deste tema é respeitada. Se o ateísta também merece respeito, eu, sendo uma teísta não-religiosa, também o mereço.

Esse livro chegou até mim num momento muito difícil de minha vida. Meu pai faleceu há menos de um mês. Minha mãe carrega consigo uma doença incapacitante (mal de Alzheimer precoce – com apenas 58 anos). Meu cachorro está velhinho e prestes a se submeter a uma cirurgia. Perdas, dificuldades financeiras e problemas de saúde me fizeram entrar numa fase de maior introspecção sobre a vida; a morte; e o real propósito de minha existência.

A nossa ligação com Deus fica mais aprofundada quando ‘os problemas gritam’ diante de nós. E os momentos de calmaria parecem nos afastar um pouco mais de nossa espiritualidade, mesmo que o sentimento de gratidão permaneça mantendo essa ligação com o Divino (bem menos fervorosa, sem sombra de dúvidas). E isso está errado. A nossa comunhão com Deus não pode ser refém de oscilações. Ela tem que ser firme, forte e constante, não importando a realidade que vivenciamos.

E foi isso que o livro veio me mostrar: a importância da fé genuinamente inabalável. O livro “Ruínas Gloriosas” me ajudou com o início do processo de maturação de minha fé (que não mais permitirei ser oscilante) através dos vinte e um princípios que Sérgio Queiroz tão excepcionalmente descreveu. O primeiro passo foi dado.

Princípios são preceitos que levam a determinado padrão de conduta. Termos uma religião não é uma condição sine qua non para sermos cidadãos exemplares; pessoas equilibradas; gente ‘do bem’. O que é imprescindível mesmo é agirmos baseados em valores morais, sendo eles interpretados ou não a partir da Bíblia.

O que Sérgio Queiroz fez, de forma magnífica, foi extrair da personagem bíblica Neemias princípios de vida que podem nos levar a enxergar uma importante reconstrução pessoal a partir do reconhecimento e enfrentamento de nossas próprias ruínas (dores, traumas, cicatrizes, perdas).

Neemias viveu durante o período em que Judá era uma província do Império Aquemênida. Ele havia sido designado copeiro do rei Artaxerxes I. Através de seu irmão, Neemias ouviu sobre a condição lamentável de Jerusalém  (em ruínas e com os muros totalmente destruídos) e encheu-se de tristeza.  Por muitos dias, ficou em jejum, em luto, orando pelo local onde seus pais estavam enterrados. Finalmente, o rei percebeu a tristeza em sua expressão e perguntou-lhe o motivo. Neemias explicou ao rei e este lhe concedeu permissão de ir à cidade.

Ele chegou a Jerusalém no 20º ano do reinado de Artaxerxes I (445/444 a.C.) com um forte séquito que lhe fora fornecido pelo próprio rei e com cartas para todos os governadores das províncias pelas quais passaria, ordenando-os a ajudá-lo. Quando de sua chegada em Jerusalém, Neemias estudou secretamente a cidade à noite, formando um plano para a sua restauração. O plano foi executado com tamanha habilidade que as muralhas de Jerusalém foram reconstruídas num período assombrosamente rápido.

O livro de Sérgio Queiroz traz o prefácio de um homem que eu admiro muito: William Douglas (Escritor, Conferencista, Professor e Juiz Federal). Vejamos algumas de suas palavras acerca deste livro: “Se você tem uma ou mais ruínas a enfrentar, ou se conhece alguém que vive esse problema, a obra de Sérgio Queiroz será categórica e se encaixa como uma luva. Não existem fórmulas prontas para tudo, nem receitas ou protocolos que antecipem a integridade do futuro. Por isso, assimilar e compreender princípios é a melhor forma de enfrentar o cotidiano.”

Abaixo, deixo o fichamento dos vinte e um princípios descritos pelo autor através de suas próprias palavras. Esta é a essência do que consegui extrair de tão encantadora e edificante leitura. Se você puder ler este livro, garanto que o tempo despendido não terá sido em vão. Eu recomendo.

 

  1. Princípio da Realidade

“Nós muitas vezes vivemos fábulas, mas Deus quer nos mostrar fatos. Se não virmos a realidade, não saberemos lidar com os processos de devastação em nossa vida. […] A verdade é o princípio basilar sobre o qual o castelo da reconstrução pode ser erguido. Sem verdade não há restauração. Aprenda a fazer perguntas. Tente responder. O que é isso? O que está acontecendo? O que existe por trás dessa realidade? […] É a partir de fatos, de circunstâncias muito claras que nós conseguiremos seguir o projeto de restauração que Deus tem para nós.”

 

  1. Princípio da Inquietação

 “Como a tendência é nos movermos para reconstruir nossas ruínas somente depois das inquietações, felizes são os que descobrem a verdade e automaticamente se inquietam para que Deus opere a restauração. […] A inquietação é uma das primeiras e mais importantes pedras na construção de uma nova história, pois desafia a acomodação e luta contra a consolidação de um status quo marcado por dores e cinzas.”

 

  1. Princípio da Confissão

 “Sem confissão não pode haver perdão e, sem perdão, ruínas serão sempre ruínas, ainda que mascaradas por aparências. […] Nós não precisamos usar caricaturas, pois Deus nos quer ver, frente a frente, como somos. Ele deseja que lhe apresentemos nossas fraquezas, nossos erros e nossos acertos; sem concavidades, sem convexidades: simplesmente a plenitude do que verdadeiramente somos.”

 

  1. Princípio da Paciência

 “Não há restauração se não respeitarmos o princípio da paciência. Deus é o Senhor do tempo, e não nós. Por isso, precisamos agir, lutar e buscar, mas o tempo é do Senhor, o soberano. Nós, seres humanos, somos indivíduos impacientes e ansiosos, e é difícil para quem é impaciente e ansioso esperar o tempo de Deus.”

 

  1. Princípio da Transparência

“Muitas vezes nós perdemos a oportunidade de restaurar algo em nossa vida – uma amizade, um casamento, um processo qualquer da nossa existência – porque teimamos em agir como hipócritas e usar máscaras que escondem a realidade do nosso coração. Deus não quer que sejamos um povo que esconde suas dores. Deus não espera que escondamos nossos sentimentos. […] Não passe maquiagem nos poros de onde Deus quer fazer verter gotas de sangue, porque a sua fragilidade, quando demonstrada de forma transparente, faz parte essencial do processo de restauração.”

 

  1. Princípio do Planejamento

“Todo projeto de restauração de vida pessoal, profissional, relacional ou social implica algo muito importante: você precisa de um plano. É como se Deus olhasse para você e dissesse: Tudo bem, você quer restaurar isso na sua vida. Mas… qual é o seu plano. O que você está disposto a fazer?”

 

  1. Princípio da Integridade

 “Mesmo que a sua finalidade seja justa, os seus meios também têm de ser justos. Se houver transgressão a fim de se chegar aonde se deseja, tudo está errado. É fundamental ter a integridade […] Esse é um princípio inviolável e inegociável.”

 

  1. Princípio da Guerra

 “Na hora em que nos levantamos para restaurar qualquer coisa em nossa vida, seja na nossa alma, em nossos relacionamentos, na nossa autoimagem, seja no que for, acontece no mundo espiritual um processo de guerra.”

 

  1. Princípio da Inspeção Detalhada

 “Você tem que necessariamente conhecer os detalhes das suas ruínas. É essencial ter noção da profundidade dos seus traumas, quanto eles ainda estão vivos no seu coração, qual a intensidade do dano que causaram. Para compreender a intensidade da ruína que está enfrentando, não se pode maquiá-la e vê-la apenas de maneira panorâmica. […] Se o princípio da realidade aponta para a existência de uma ruína, o princípio da inspeção detalhada analisa essa realidade com precisão cirúrgica e nos ajuda a conhecer a profundidade dos nossos abismos. É um processo doloroso, mas necessário.”

 

  1. Princípio da Visão Motivada

 “Sem motivação não conseguimos obter nenhuma realização significativa. A motivação funciona como uma mola propulsora, uma força amiga que nos ajuda a chegar aonde os nossos medos e o nosso cansaço nos impedem. Desse modo, desejar restaurar alguma realidade em ruínas não é o bastante. Precisamos ser tomados por uma forte e convincente motivação. E nada como as palavras e as promessas de Deus para nos motivar a seguir.”

 

  1. Princípio da Fé Inabalável

 “As maiores restaurações que precisamos empreender se referem a questões complexas da vida. São necessidades ligadas a relacionamentos, identidade, autoimagem, casamento e a própria situação de nosso país. Neemias sabe que se dispôs a realizar uma obra de restauração muito difícil e que, se o Senhor não entrar em ação, tudo estará perdido. O mesmo ocorre conosco. Mas Neemias acreditou. Teve fé. E essa fé lhe deu forças para superar todos os obstáculos. […] Que Deus fortaleça a nossa fé. […] E, como disse Tomás de Aquino, para quem tem fé, nenhuma explicação é necessária; mas, para as pessoas que não têm, nenhuma explicação é possível.”

 

  1. Princípio da Solidariedade

 “É possível que você, hoje mesmo, precise dividir com outras pessoas as tarefas da restauração do seu casamento, de uma amizade, de sua trajetória profissional ou de qualquer outra área da vida. Não tenha medo de compartilhar as suas dores, nem se esconda em meio aos escombros da sua existência. O Deus todo-poderoso pode usar outras pessoas para ajudá-lo a reconstruir sonhos destruídos e projetos arruinados. Neemias demonstrou humildade ao pedir ajuda a muita gente, vencendo o orgulho e a ilusão da autossuficiência.”

 

  1. Princípio da Resistência

 “Restaurar nem sempre é um processo prazeroso. Entretanto, o que não pode sair da nossa mente é que grandes projetos de vida são seguidos de grandes oposições e requerem contínua e firme resistência. Por isso, mude as estratégias, mas não desista diante do que assusta, enfraquece, humilha ou provoca desânimo. Como disse Martin Luther King, se você não pode voar, então corre; se não pode correr, então ande; se não pode andar, então rasteje; mas, em qualquer circunstância, continue seguindo em frente. Isso foi o que Neemias fez diante das insanas e diabólicas ameaças de seus opositores, pois entendeu, desde o início, que resistir não é uma mera opção, mas um dos mais importantes princípios que regem um memorável processo de restauração.”

 

  1. Princípio da Oração

 “Muitas vezes só lançamos mão da oração quando nos sentimos fracos e necessitados, como se orar fosse o último recurso de que dispomos em nossas lutas diárias. Isso é um enorme engano! Precisamos entender que a oração não deve ser vista como o que resta quando tudo o mais falta, mas como tudo o que temos, mesmo quando achamos que estamos total e completamente supridos. […] Neemias possuía armas que os inimigos não conseguiam enxergar, um arsenal imbatível que os opositores não tinham como contemplar. Ele sabia que, para além do esforço, da dedicação e do duro trabalho de restauração dos muros de Jerusalém, havia uma guerra a ser vencida nas dimensões espirituais. O Deus de Neemias era o centro de sua confiança e a fonte do seu vigor. […] Não deixe a excessiva autoconfiança fazer você sucumbir diante das ruínas da vida. Seja humilde e dedique-se à oração! Se restaurar é preciso, orar é imprescindível.”

 

  1. Princípio da Persistência

 “A vitória, na esmagadora maioria das vezes, é dos que persistem, dos que perseveram, dos que vão até o fim, e não daqueles que param no meio do caminho. O “meio do muro”, a meu ver, é uma síndrome que abate a maioria das pessoas que se encontram envolvidas com um processo de restauração, pois tendemos a parar no meio daquilo que fazemos e não conseguimos concluir muitas coisas a que nos propomos na vida por falta de persistência. […] Nós temos de persistir especialmente quando queremos parar, quando o circo se arma para nos afastar do cumprimento da vontade de Deus.”

 

  1. Princípio do Trabalho Duro

 “Com uma mão você deve empunhar a espada da oração; com a outra, os instrumentos da ação. Você precisa unir essas duas coisas. Ação sem oração é decepção. Oração sem ação é ilusão.”

 

  1. Princípio da Comunhão

 “Você precisa de gente, de amigos espirituais para lhe dar suporte. […] É preciso aprender a dádiva de conviver com outras pessoas imperfeitas. […] O Senhor nos fez necessitados uns dos outros. Não tente achar que você consegue resolver tudo. Isso faz com que você se feche, tranque seu coração e não o abra para outras pessoas.”

 

  1. Princípio do Amor

 “O princípio do amor nos leva a compreender que o outro é tão importante como você. […] Esse princípio fala sobre amar o próximo, ter empatia pela dor do outro, abrir mão de si pelas outras pessoas e ajudá-las em suas necessidades. […] Você nunca vai reatar verdadeiramente laços se não aprender de fato o que significa amar. Amar é olhar para o outro e sofrer pelas dores dele. […] Mudanças profundas em uma sociedade não começam por transformações na esfera político-partidária, mas no âmbito do coração. […] Temos de ser luz e bênção na vida das pessoas. […] O amor é o que nos conduz, mais do que qualquer outra coisa, a uma vida plena de satisfação e contentamento.”

 

  1. Princípio da Renúncia

 “Como será possível restaurar o que for se não temos em mente a consciência de que precisamos exercitar o princípio da renúncia? Deus quer que exercitemos esse princípio. São muitas as famílias destruídas em nossos dias por causa de repartição de heranças; muitas as amizades destruídas em razão de interesses mesquinhos; muitas as mães que impedem os filhos de ver os pais depois de um divórcio. […] Você tem muitos direitos dos quais poderia abrir mão por amor ao outro. […] Precisamos lutar contra o nosso ego. Analise a si mesmo e veja se não está faltando em sua vida um pouco de renúncia para que consiga promover a restauração das ruínas que precisa reconstruir.”

 

  1. Princípio da Soberania Divina

 “Nem sempre nós entendemos as coisas, mas o princípio da soberania divina nos assegura que o Todo-Poderoso é Senhor sobre o tempo e a história da humanidade. […] Como diz o apóstolo Paulo, sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos foram chamados de acordo com o seu propósito. […] Eu não tenho que impor minha agenda a Deus, pois Ele sabe o que é bom, o que é melhor. Muitas vezes, eu tenho um plano específico e ele tem outro. E Deus não pede licença para rasgar os nossos planos. Não sabemos quanto tempo vai durar cada processo; temos que nos conformar em saber que não sabemos de nada. Deus é o Senhor soberano. E, em sua soberania, ele estabeleceu: Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu: Tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou, tempo de matar e tempo de curar, tempo de derrubar e tempo de construir, tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e tempo de dançar, tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las, tempo de abraçar e tempo de se conter, tempo de procurar e tempo de desistir, tempo de guardar e tempo de jogar fora, tempo de rasgar e tempo de costurar, tempo de calar e tempo de falar, tempo de amar e tempo de odiar, tempo de lutar e tempo de viver em paz. Ec 3.1,2.”

 

  1. Princípio da Celebração

 “Celebre a vida. Celebre o que Deus lhe deu. […] Saiba comemorar as pequenas restaurações, as pequenas conquistas. […] Diga sempre: ainda que não sou quem desejo ser, mas já não sou mais quem um dia fui. […] Encha o coração de gratidão para que Deus seja glorificado em sua vida e para que o mundo ouça que, em Cristo, temos razões para cultivar a esperança de um novo tempo, um novo céu e uma nova terra, onde a justiça prevalecerá.”

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